segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Torce, retorce, procuro mas não vejo...

No final não era nem pulga nem percevejo, mas o bicho fez um estrago razoável...
Na semana passada comecei a achar umas picadas no meu corpo e uns dias depois o Leandro aparece com as mesmas.
Começamos a ficar encanados que vinham do nosso colchão, já que enquanto estivemos de férias o dono do nosso apartamento tinha trazido um novo pra gente.
Reviramos o colchão todo e vimos uns micro-micro insetos que a meu ver pareciam uma pulga, mas a verdade é que eu vi pulga uma única vez na minha vida, então não sou muito boa em reconhecê-las...
Meu marido, pessoa criada no "campo" de São Paulo tem as mesmas habilidades, então ficamos sem saber o que era aquilo.
Enquanto não doscobríamos, lá fomos nós pra uma feijoada (sim, aqui acontecem feijoadas no domingo também!).
Começamos a escutar de todos os nossos amigo que por aqui existe um problema de infestação por "bedbugs", um inseto que aparece em hotéis e é espalhados normalmente por mochileiros ou outros viajantes que acabam levando o bicho na mala. Uma vez que a casa é contaminada, a saída é jogar fora e queimar colchões, travesseiros, sofás, roupas, carpete e afins...
Uma notícia super agradável de se receber num calmo e tranquilo domingo a tarde!
Sem ter muito o que fazer, seguimos com o pagode e a caipirinha!
Chegamos em casa e lá vamos nós voltar aos tempos de combate a insetos (vide primeiro mês de blog).
Descobrimos que o tal "bedbug" é ninguém mais ninguém menos que o percevejo, que pra mim só existia na musiquinha inocente do título.
Como a história não é bem essa, botamos o colchão na sacada, pegamos lençois novos, inflamos um colchão de ar e dormimos nele, no meio da sala.
Adiantou? Nem um pouco! Acordamos com mais picadas e lá vamos nós pro médico.
Depois de olhar as picadas ele disse que não eram definitivamente dos bedbugs (menos mal!), mas provavelmente de um ácaro que deveria estar nas nossas coisas.
Deu um anti-alérgico pra tomarmos e uma loção pra aplicarmos no corpo.
E agora estamos os dois aqui, cheirando que nem aquelas crianças piolhentas que tomam banho de creolina antes de ira pra escolinha pra não contaminar os amigos!
(Contato pela internet está liberado!)

domingo, 25 de outubro de 2009

Mal acostumada

Quase dois anos depois e eu ainda me encanto com pequenos prazeres australianos!
Voltando do trabalho um dia desses fui pegar um ônibus pro centro da cidade, a região mais movimentada de Sydney.
Depois de 5 minutos no ponto chegou um ônibus lotado, parou, só abriu a porta de trás pra algumas pessoas descerem e arrancou, deixando todo mundo no ponto com aquela cara de frustração.
A cara durou aproximadamente 30 segundos, até que um outro ônibus chegou e encostou, botando todo mundo pra dentro. Lotou, o que quer dizer que tinha gente em todos os bancos e gente em pé nos corredores, cada um com uma circunferência em torno do próprio corpo de mais ou menos meio metro quadrado de diâmetro respeitado pelo passageiro do lado.
A turbulenta viagem seguiu por mais umas 5 estações, até que 70% das pessoas do ônibus desceram e eu segui o percurso sentada.
Dali a pouco começo a escutar um australiano falando no celular e desabafando com alguém do outro lado da linha: “porra, meu ônibus demorou pra caramba pra passar e agora tá um puta trânsito! Tô super atrasado…”.
Olhei a minha volta, já estávamos bem no meio do centro da cidade. A pista contrária estava vazia, a pista onde estávamos estava andando, o sinal abria e os carros passavam.
O encanto ainda não acabou!

terça-feira, 13 de outubro de 2009

Bicho estranho

Miiiiil desculpas!
Antes de mais nada queria dizer que eu NÃO abandonei o blog – definitivamente - só andei meio sem tempo.
Daqui há um mês acabo o mestrado e aí vou me dedicar mais, prometo. Então, por favor, não me deixem falando sozinha!
E pra celebrar a volta lá vai uma coisa bem australiana pra dar uma animada:
É meio difícil de explicar o que um misto de bode com cabrito (se é que eles não são a mesma pessoa – nunca entendi…) faz no topo de uma pedreira com a Harbor Bridge ao fundo, mas essa é só mais uma das divertidas coisas a se ver no Taronga Zoo, o maior zoológico de Sydney.
Desde que a gente chegou aqui que ameaçava ir e ficava naquelas de “o dia que tiver alguma visita aqui a gente vai levá-las lá mesmo, então vamos outra hora”.
1 ano, 8 meses e nenhuma visita depois resolvemos ir!
A beleza já começa na ida, no ferry boat que cruza a bahia, passa em frente a Operah House e chega no zoo. Dali, da praia, se pega um teleférico pra ir até o outro extremo e começar o passeio.
Melhor do que olhar pra dentro das jaulas e olhar pra fora. A vista da cidade é simplesmente maravilhosa!
Mais bonita até que o coala pendurado no galho, dormindo (claro, é só o que ele faz além de comer folhas de bamboo!).
Ou mais interessante do que ver o urso treinando seus instintos de caçador procurando a sua comida dentro de um saco de café brasileiro!
Sem falar no wombat, um misto de porquinho com urso, muito fofo (e muito australiano – só tem aqui). Detalhe que só depois de eu enfiar a mão (e metade do corpo) dentro do tanque dele eu vi o aviso: “esse animal pode morder”!
Mas até parece que uma coisa tão fofinha é capaz disso… Passei a mão nele e ele rolou a barriga pra cima, que nem um gato vira-lata!!!

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Armageddon

Postagem express só pra dizer que hoje eu acordei achando que o fim do mundo tinha chegado, que o aquecimento global tinha definitivamente acabado com a terra e que o Armageddon existia!
Chacoalhei a poeira - literalmente - e fui trabalhar!

http://www.smh.com.au/photogallery/environment/dust-turns-sydney-sky-red/20090923-g0tw.html

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

Emergência!

Mais uma pra série de aventuras médicas:

Leandrinho Gaúcho, a nova sensação do futebol australiano, resolveu voltar a jogar bola depois de meses sem nem ver a cor delas (já tava até achando que bola de futebol australiano e brasileiro eram a mesma coisa…).
No primeiro jogo o time dele perdeu de 12x0 (isso mesmo!).
Essa semana era a desforra e eles iriam enfrentar um outro time que também tinha perdido de 9x0. Duelo de titãs!
Mas o saldo dessa vez foi melhor: Lele fez 3 gols, o time ganhou de 6x1 e o prejuízo dessa vez ficou por conta do tornozelo, que ele torceu no meio do jogo…
Até o final do dia tava tudo bem, mas hoje de manhã ele acorda já cedo me cutucando: “não tô pondo o pé no chão… tá doendo… não consigo andar…”
E lá vou eu, semi-acordada, ligar no hospital pra saber onde eu deveria levá-lo.
Escutei as opções da gravação: “marcar uma consulta, resultado de exames ou emergência”. Emergência.
Minha ligação foi direcionada pra um outro número e o atendente começou a fazer perguntas.
- Quando? Ontem.
- Como? Jogando bola.
- Mas foi um colapso? (logo se vê que o cara nunca jogou bola…) Não, foi trombada mesmo.
- Como ele passou as últimas horas? Morto – pensei – mas só tô ligando agora porque eu tava dormindo, tava frio e fiquei com preguiça de levantar da cama.
- Ele está consciente? Sim – mas depende sobre o quê. Essa pergunta é muito abrangente…
Enquanto isso a vítima do meu lado gargalhando e me dando sinal dizendo que ele não ia pegar uma ambulância por causa de um pé torcido. Eu, me controlando pra não rir e tratando o cara com seriedade – porém com sono - respondi a próxima pergunta:
- Is he bleeding? (tá sangrando?) Nããão! Não, não…
Só que a pergunta não era essa…. Eu entendi errado! E o cara levantou a voz tenso: He is NOT breathing (não está respirando)?
E eu continuei: Não! Não, não!
E o cara: NÃO??? HE IS NOT BREATHING???
- Não! Sim! Não! Sim! Peraí! Ele NÃO está sangrando, mas, SIM, ele está respirando!!!
Nisso eu já estava imaginando os paramédicos arrombando a porta do apartamento pra regatar a vítima e todos os cameramans dos reality shows sensacionalistas entrando atrás.
E eu de pijama e meia!
Bom, eu sei que muitas perguntas depois e uma consulta com os paramédicos por telefone eu consegui explicar que eu não precisava de uma ambulância, o morto na verdade tava vivo, respirando e gargalhando. Só não tava andando.
Despachei ele pro hospital com um amigo nosso (obrigada, Adilson!!!) e fui trabalhar.

terça-feira, 21 de julho de 2009

Inversão de valores

Chega! Eu não agüento mais reality shows!

Será que eu sou a única?

Não sei… Não sei qual o volume de reality shows que acontecem no Brasil atualmente, mas por aqui posso listar sem ter que pensar muito:

- reality show de gordinhos

- de dançarinos famosos

- de dançarinos não-famosos

- de designers de interiores (OMG!)

- de paisagistas

- de cheffs de cozinha

- de policiais

- médicos

- modelos

- pessoas bonitas de modo geral (sim! Esse é o mais novo, que “avalia”a “verdadeira” beleza delas…)

- o clássico big-brother, claro

- de veterinários

- de aspirantes a cantor

- de casais

- de fazendeiros procurando mulheres (o único que eu gosto!)

- de meninas rebeldes que precisam entrar na linha (admito que já gostei)

e a lista segue.

Fiquei pensando: quando surgiu o primeiro BBB o máximo eram aquelas pessoas – completos desconhecidos – serem transformadas em estrelas em questão de semanas.

Acredito que muito da vontade das pessoas em participar daquele zoológico humano era realmente virar famoso.

Na atual conjuntura cheguei a seguinte conclusão: daqui a pouco as pessoas vão me parar na rua.

Vão dizer assim: “Ei! Você não é ninguém, de lugar nenhum? Nunca te vi na TV antes!!”.
E vão me pedir autógrafos...

Nessa hora eu vou por um óculos escuro, um chapéu bem grande e chamativo, um salto maior ainda, baixar a cabeça e fingir que eu sou uma ex-reality show pra poder seguir meu caminho sossegada!

sexta-feira, 17 de julho de 2009

Momento constrangimento

Essa postagem fala de temas desagradável e pode ser vista como mal educada ou de mal gosto, por isso se você está de mal-humor, TPM ou é chato mesmo, não leia!

(Mas eu preciso compartilhar!)

Acabei de voltar de uma consulta médica.

Meu objetivo era reportar “alterações intestinais” e ontem a noite me dei conta de que teria uma certa dificuldade em explicar isso.

Nessas horas você se dá conta de que 10 anos depois ainda se lembra daqueles diálogos forçados dos livros de inglês:


- Olá! Como você está?

- Estou bem, e você?

- Eu também estou bem, obrigado. Estou indo para a escola, e você?

- Estou indo ao supermercado.

- Oh! Supermercado? Você vai fazer compras, NÃO VAI? (tag question)


(“Não! Vou andar de bicicleta, imbecil” – comentário que se passa na cabeça dos alunos.)

Mas alguém algum dia teve uma aula de conversação ou teve que ficar repetindo um diálogo do livro com este teor?


- Bom dia? Como você está hoje?

- Eu estou bem, obrigada! E você?

- Estou com diarréia.

- Oh, diarréia?! Você está fazendo coco mole, NÃO ESTÁ?


E aí, na hora que você tem que ir a um médico reportar certos detalhes da sua vida privada (sim, trocadilho!), você descobre que ainda tem muito o que aprender mesmo depois de tantos anos estudando uma língua.

Mas o pior mesmo ficou pra médica, que muito educadamente me perguntou: “you are not passing more wind, are you?” (que ao pé da letra que dizer: você não está passando mais vento, está?).

“Passando vento???”, pensei.

Fiz aquela rápida checagem de 3 segundos pelo meu cérebro pra ver se aquilo soava familiar – resposta: não consta – e fiz aquela cara de quem não entendeu.

E ela, uma senhorinha toda bonitinha e delicada, começou a fazer gestos reproduzindo o ato de soltar um pum!!!

Fantástico!

quarta-feira, 15 de julho de 2009

Mais um! Mais um!


Mais legal que reveillon pra marcar a virada de mais um ano, pra mim é aniversário.
E como não poderia deixar de ser, tem que ter festa!
Nosso círculo de amigos tem aumentado, então não dava pra fazer festa em casa, como no ano passado. A segunda opção em se tratando de Austrália é o parque, mas com o frio que tem feito por aqui não seria muito convidativo, então optei por um bar/balada.
A verdade é que fazendo o aniversário num lugar desses é também uma maneira de continuar me sentindo com 20 vinte anos, por isso fiz questão de recusar a sugestão do meu marido pra que eu fizesse num “restaurante”.
Nada contra uma festa num restaurante, mas eu ainda tenho muito anos pela frente pra fazer uma dessas, então deixa eu aproveitar enquanto ainda suporto uma balada!
Na verdade o lugar nem era exatamente uma balada para os padrões de SP, tava mais pra um bar, a começar pelo horário: a festa tava marcada pras 7 da noite!
E no final, umas 2 da manhã, lá fomos nós passear a pé pela rua procurando algum lugar pra comer, carregando o resto do bolo.
Até tentamos vendê-lo na porta da lanchonete onde paramos pra comer, mas não teve muita saída… Australiano não conhece doce-de-leite, não sabem o que tavam perdendo!
E só pra esclarecer, quando eu fui comprar a vela, não tinham todos os números, então peguei o mais próximo que achei!

sexta-feira, 10 de julho de 2009

Primeiros passos

Pra quem está na Austrália e não assistiu ao jornal hoje, ou pra quem está no Brasil, onde eu não sei o que está sendo mostrado, dêem uma olhada nesse vídeo.

É o demais!



E depois de assisti-lo, leia a explicação abaixo sobre os milagres da tecnologia:

- os bebezinhos (que nem engatinhar engatinham) foram filmados com uma pessoa atrás deles chacoalhando-os ao som da musica;

- um patinador profissional foi filmado num estúdio fazendo a coreografia;

- os passos dele foram jogados no computador pra que o software reproduzisse os movimentos, aplicando-os aos corpinhos de bebês (o que, diga-se de passagem, eu tive que fazer na mão por horas pra minha girafa) modelados em 3D;

- filmaram o cenário num parque em Melbourne e editaram para que parecesse o Central Park!
(E pra quem quiser mais, veja o site da campanha: http://www.evianliveyoung.com/babies/#/landing/home).

domingo, 28 de junho de 2009

Ou 8 ou 80


Após uma semana de mais pura diversão e aventuras estamos de volta a Sydney.
Pode ser empolgação de começo (depois de um ano e meio – será?), mas devo admitir que chegar na cidade ainda dá um certo prazer e alegria!

Principalmente depois de voltar de um país com cultura e hábitos tão diferentes, é agradável entrar num taxi e não ter que ficar se preocupando se o taxista ligou o taximetro, se está tentando te enganar ou não, etc...

A Thailândia é o máximo sim, mas como todo país mais pobre, tem essas desvantagens…
Mas também tem uma cordialidade que merece ser destacada. É mais ou menos assim: quando não estão tentando te enganar, estão super dispostos a ajudar!

É uma constante e interessante contradição.

Entrei num banheiro público um dia e depois de procurar o papel higiênico por todo lado descobri que não tinha. Uma thailandesa me mostrou na parede uma máquina onde eu poderia comprar papel mas eu tava sem carteira. Abri mão dos meus luxos e entrei na cabininha. Dali a pouco ela me chama e passa por baixo da porta uma caixinha de papel que comprou pra mim.

Agradeci e fiquei esperando que na saída ela estaria lá, esperando que eu pagasse. Ninguém por ali! Foi pura cordialidade mesmo!