Mais uma pra série de aventuras médicas:
Leandrinho Gaúcho, a nova sensação do futebol australiano, resolveu voltar a jogar bola depois de meses sem nem ver a cor delas (já tava até achando que bola de futebol australiano e brasileiro eram a mesma coisa…).
No primeiro jogo o time dele perdeu de 12x0 (isso mesmo!).
Essa semana era a desforra e eles iriam enfrentar um outro time que também tinha perdido de 9x0. Duelo de titãs!
Mas o saldo dessa vez foi melhor: Lele fez 3 gols, o time ganhou de 6x1 e o prejuízo dessa vez ficou por conta do tornozelo, que ele torceu no meio do jogo…
Até o final do dia tava tudo bem, mas hoje de manhã ele acorda já cedo me cutucando: “não tô pondo o pé no chão… tá doendo… não consigo andar…”
E lá vou eu, semi-acordada, ligar no hospital pra saber onde eu deveria levá-lo.
Escutei as opções da gravação: “marcar uma consulta, resultado de exames ou emergência”. Emergência.
Minha ligação foi direcionada pra um outro número e o atendente começou a fazer perguntas.
- Quando? Ontem.
- Como? Jogando bola.
- Mas foi um colapso? (logo se vê que o cara nunca jogou bola…) Não, foi trombada mesmo.
- Como ele passou as últimas horas? Morto – pensei – mas só tô ligando agora porque eu tava dormindo, tava frio e fiquei com preguiça de levantar da cama.
- Ele está consciente? Sim – mas depende sobre o quê. Essa pergunta é muito abrangente…
Enquanto isso a vítima do meu lado gargalhando e me dando sinal dizendo que ele não ia pegar uma ambulância por causa de um pé torcido. Eu, me controlando pra não rir e tratando o cara com seriedade – porém com sono - respondi a próxima pergunta:
- Is he bleeding? (tá sangrando?) Nããão! Não, não…
Só que a pergunta não era essa…. Eu entendi errado! E o cara levantou a voz tenso: He is NOT breathing (não está respirando)?
E eu continuei: Não! Não, não!
E o cara: NÃO??? HE IS NOT BREATHING???
- Não! Sim! Não! Sim! Peraí! Ele NÃO está sangrando, mas, SIM, ele está respirando!!!
Nisso eu já estava imaginando os paramédicos arrombando a porta do apartamento pra regatar a vítima e todos os cameramans dos reality shows sensacionalistas entrando atrás.
E eu de pijama e meia!
Bom, eu sei que muitas perguntas depois e uma consulta com os paramédicos por telefone eu consegui explicar que eu não precisava de uma ambulância, o morto na verdade tava vivo, respirando e gargalhando. Só não tava andando.
Despachei ele pro hospital com um amigo nosso (obrigada, Adilson!!!) e fui trabalhar.
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quarta-feira, 12 de agosto de 2009
sexta-feira, 17 de julho de 2009
Momento constrangimento
Essa postagem fala de temas desagradável e pode ser vista como mal educada ou de mal gosto, por isso se você está de mal-humor, TPM ou é chato mesmo, não leia!
(Mas eu preciso compartilhar!)
Acabei de voltar de uma consulta médica.
Meu objetivo era reportar “alterações intestinais” e ontem a noite me dei conta de que teria uma certa dificuldade em explicar isso.
Nessas horas você se dá conta de que 10 anos depois ainda se lembra daqueles diálogos forçados dos livros de inglês:
- Olá! Como você está?
- Estou bem, e você?
- Eu também estou bem, obrigado. Estou indo para a escola, e você?
- Estou indo ao supermercado.
- Oh! Supermercado? Você vai fazer compras, NÃO VAI? (tag question)
(“Não! Vou andar de bicicleta, imbecil” – comentário que se passa na cabeça dos alunos.)
Mas alguém algum dia teve uma aula de conversação ou teve que ficar repetindo um diálogo do livro com este teor?
- Bom dia? Como você está hoje?
- Eu estou bem, obrigada! E você?
- Estou com diarréia.
- Oh, diarréia?! Você está fazendo coco mole, NÃO ESTÁ?
E aí, na hora que você tem que ir a um médico reportar certos detalhes da sua vida privada (sim, trocadilho!), você descobre que ainda tem muito o que aprender mesmo depois de tantos anos estudando uma língua.
Mas o pior mesmo ficou pra médica, que muito educadamente me perguntou: “you are not passing more wind, are you?” (que ao pé da letra que dizer: você não está passando mais vento, está?).
“Passando vento???”, pensei.
Fiz aquela rápida checagem de 3 segundos pelo meu cérebro pra ver se aquilo soava familiar – resposta: não consta – e fiz aquela cara de quem não entendeu.
E ela, uma senhorinha toda bonitinha e delicada, começou a fazer gestos reproduzindo o ato de soltar um pum!!!
Fantástico!
(Mas eu preciso compartilhar!)
Acabei de voltar de uma consulta médica.
Meu objetivo era reportar “alterações intestinais” e ontem a noite me dei conta de que teria uma certa dificuldade em explicar isso.
Nessas horas você se dá conta de que 10 anos depois ainda se lembra daqueles diálogos forçados dos livros de inglês:
- Olá! Como você está?
- Estou bem, e você?
- Eu também estou bem, obrigado. Estou indo para a escola, e você?
- Estou indo ao supermercado.
- Oh! Supermercado? Você vai fazer compras, NÃO VAI? (tag question)
(“Não! Vou andar de bicicleta, imbecil” – comentário que se passa na cabeça dos alunos.)
Mas alguém algum dia teve uma aula de conversação ou teve que ficar repetindo um diálogo do livro com este teor?
- Bom dia? Como você está hoje?
- Eu estou bem, obrigada! E você?
- Estou com diarréia.
- Oh, diarréia?! Você está fazendo coco mole, NÃO ESTÁ?
E aí, na hora que você tem que ir a um médico reportar certos detalhes da sua vida privada (sim, trocadilho!), você descobre que ainda tem muito o que aprender mesmo depois de tantos anos estudando uma língua.
Mas o pior mesmo ficou pra médica, que muito educadamente me perguntou: “you are not passing more wind, are you?” (que ao pé da letra que dizer: você não está passando mais vento, está?).
“Passando vento???”, pensei.
Fiz aquela rápida checagem de 3 segundos pelo meu cérebro pra ver se aquilo soava familiar – resposta: não consta – e fiz aquela cara de quem não entendeu.
E ela, uma senhorinha toda bonitinha e delicada, começou a fazer gestos reproduzindo o ato de soltar um pum!!!
Fantástico!
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