quarta-feira, 12 de agosto de 2009

Emergência!

Mais uma pra série de aventuras médicas:

Leandrinho Gaúcho, a nova sensação do futebol australiano, resolveu voltar a jogar bola depois de meses sem nem ver a cor delas (já tava até achando que bola de futebol australiano e brasileiro eram a mesma coisa…).
No primeiro jogo o time dele perdeu de 12x0 (isso mesmo!).
Essa semana era a desforra e eles iriam enfrentar um outro time que também tinha perdido de 9x0. Duelo de titãs!
Mas o saldo dessa vez foi melhor: Lele fez 3 gols, o time ganhou de 6x1 e o prejuízo dessa vez ficou por conta do tornozelo, que ele torceu no meio do jogo…
Até o final do dia tava tudo bem, mas hoje de manhã ele acorda já cedo me cutucando: “não tô pondo o pé no chão… tá doendo… não consigo andar…”
E lá vou eu, semi-acordada, ligar no hospital pra saber onde eu deveria levá-lo.
Escutei as opções da gravação: “marcar uma consulta, resultado de exames ou emergência”. Emergência.
Minha ligação foi direcionada pra um outro número e o atendente começou a fazer perguntas.
- Quando? Ontem.
- Como? Jogando bola.
- Mas foi um colapso? (logo se vê que o cara nunca jogou bola…) Não, foi trombada mesmo.
- Como ele passou as últimas horas? Morto – pensei – mas só tô ligando agora porque eu tava dormindo, tava frio e fiquei com preguiça de levantar da cama.
- Ele está consciente? Sim – mas depende sobre o quê. Essa pergunta é muito abrangente…
Enquanto isso a vítima do meu lado gargalhando e me dando sinal dizendo que ele não ia pegar uma ambulância por causa de um pé torcido. Eu, me controlando pra não rir e tratando o cara com seriedade – porém com sono - respondi a próxima pergunta:
- Is he bleeding? (tá sangrando?) Nããão! Não, não…
Só que a pergunta não era essa…. Eu entendi errado! E o cara levantou a voz tenso: He is NOT breathing (não está respirando)?
E eu continuei: Não! Não, não!
E o cara: NÃO??? HE IS NOT BREATHING???
- Não! Sim! Não! Sim! Peraí! Ele NÃO está sangrando, mas, SIM, ele está respirando!!!
Nisso eu já estava imaginando os paramédicos arrombando a porta do apartamento pra regatar a vítima e todos os cameramans dos reality shows sensacionalistas entrando atrás.
E eu de pijama e meia!
Bom, eu sei que muitas perguntas depois e uma consulta com os paramédicos por telefone eu consegui explicar que eu não precisava de uma ambulância, o morto na verdade tava vivo, respirando e gargalhando. Só não tava andando.
Despachei ele pro hospital com um amigo nosso (obrigada, Adilson!!!) e fui trabalhar.

terça-feira, 21 de julho de 2009

Inversão de valores

Chega! Eu não agüento mais reality shows!

Será que eu sou a única?

Não sei… Não sei qual o volume de reality shows que acontecem no Brasil atualmente, mas por aqui posso listar sem ter que pensar muito:

- reality show de gordinhos

- de dançarinos famosos

- de dançarinos não-famosos

- de designers de interiores (OMG!)

- de paisagistas

- de cheffs de cozinha

- de policiais

- médicos

- modelos

- pessoas bonitas de modo geral (sim! Esse é o mais novo, que “avalia”a “verdadeira” beleza delas…)

- o clássico big-brother, claro

- de veterinários

- de aspirantes a cantor

- de casais

- de fazendeiros procurando mulheres (o único que eu gosto!)

- de meninas rebeldes que precisam entrar na linha (admito que já gostei)

e a lista segue.

Fiquei pensando: quando surgiu o primeiro BBB o máximo eram aquelas pessoas – completos desconhecidos – serem transformadas em estrelas em questão de semanas.

Acredito que muito da vontade das pessoas em participar daquele zoológico humano era realmente virar famoso.

Na atual conjuntura cheguei a seguinte conclusão: daqui a pouco as pessoas vão me parar na rua.

Vão dizer assim: “Ei! Você não é ninguém, de lugar nenhum? Nunca te vi na TV antes!!”.
E vão me pedir autógrafos...

Nessa hora eu vou por um óculos escuro, um chapéu bem grande e chamativo, um salto maior ainda, baixar a cabeça e fingir que eu sou uma ex-reality show pra poder seguir meu caminho sossegada!

sexta-feira, 17 de julho de 2009

Momento constrangimento

Essa postagem fala de temas desagradável e pode ser vista como mal educada ou de mal gosto, por isso se você está de mal-humor, TPM ou é chato mesmo, não leia!

(Mas eu preciso compartilhar!)

Acabei de voltar de uma consulta médica.

Meu objetivo era reportar “alterações intestinais” e ontem a noite me dei conta de que teria uma certa dificuldade em explicar isso.

Nessas horas você se dá conta de que 10 anos depois ainda se lembra daqueles diálogos forçados dos livros de inglês:


- Olá! Como você está?

- Estou bem, e você?

- Eu também estou bem, obrigado. Estou indo para a escola, e você?

- Estou indo ao supermercado.

- Oh! Supermercado? Você vai fazer compras, NÃO VAI? (tag question)


(“Não! Vou andar de bicicleta, imbecil” – comentário que se passa na cabeça dos alunos.)

Mas alguém algum dia teve uma aula de conversação ou teve que ficar repetindo um diálogo do livro com este teor?


- Bom dia? Como você está hoje?

- Eu estou bem, obrigada! E você?

- Estou com diarréia.

- Oh, diarréia?! Você está fazendo coco mole, NÃO ESTÁ?


E aí, na hora que você tem que ir a um médico reportar certos detalhes da sua vida privada (sim, trocadilho!), você descobre que ainda tem muito o que aprender mesmo depois de tantos anos estudando uma língua.

Mas o pior mesmo ficou pra médica, que muito educadamente me perguntou: “you are not passing more wind, are you?” (que ao pé da letra que dizer: você não está passando mais vento, está?).

“Passando vento???”, pensei.

Fiz aquela rápida checagem de 3 segundos pelo meu cérebro pra ver se aquilo soava familiar – resposta: não consta – e fiz aquela cara de quem não entendeu.

E ela, uma senhorinha toda bonitinha e delicada, começou a fazer gestos reproduzindo o ato de soltar um pum!!!

Fantástico!

quarta-feira, 15 de julho de 2009

Mais um! Mais um!


Mais legal que reveillon pra marcar a virada de mais um ano, pra mim é aniversário.
E como não poderia deixar de ser, tem que ter festa!
Nosso círculo de amigos tem aumentado, então não dava pra fazer festa em casa, como no ano passado. A segunda opção em se tratando de Austrália é o parque, mas com o frio que tem feito por aqui não seria muito convidativo, então optei por um bar/balada.
A verdade é que fazendo o aniversário num lugar desses é também uma maneira de continuar me sentindo com 20 vinte anos, por isso fiz questão de recusar a sugestão do meu marido pra que eu fizesse num “restaurante”.
Nada contra uma festa num restaurante, mas eu ainda tenho muito anos pela frente pra fazer uma dessas, então deixa eu aproveitar enquanto ainda suporto uma balada!
Na verdade o lugar nem era exatamente uma balada para os padrões de SP, tava mais pra um bar, a começar pelo horário: a festa tava marcada pras 7 da noite!
E no final, umas 2 da manhã, lá fomos nós passear a pé pela rua procurando algum lugar pra comer, carregando o resto do bolo.
Até tentamos vendê-lo na porta da lanchonete onde paramos pra comer, mas não teve muita saída… Australiano não conhece doce-de-leite, não sabem o que tavam perdendo!
E só pra esclarecer, quando eu fui comprar a vela, não tinham todos os números, então peguei o mais próximo que achei!

sexta-feira, 10 de julho de 2009

Primeiros passos

Pra quem está na Austrália e não assistiu ao jornal hoje, ou pra quem está no Brasil, onde eu não sei o que está sendo mostrado, dêem uma olhada nesse vídeo.

É o demais!



E depois de assisti-lo, leia a explicação abaixo sobre os milagres da tecnologia:

- os bebezinhos (que nem engatinhar engatinham) foram filmados com uma pessoa atrás deles chacoalhando-os ao som da musica;

- um patinador profissional foi filmado num estúdio fazendo a coreografia;

- os passos dele foram jogados no computador pra que o software reproduzisse os movimentos, aplicando-os aos corpinhos de bebês (o que, diga-se de passagem, eu tive que fazer na mão por horas pra minha girafa) modelados em 3D;

- filmaram o cenário num parque em Melbourne e editaram para que parecesse o Central Park!
(E pra quem quiser mais, veja o site da campanha: http://www.evianliveyoung.com/babies/#/landing/home).

domingo, 28 de junho de 2009

Ou 8 ou 80


Após uma semana de mais pura diversão e aventuras estamos de volta a Sydney.
Pode ser empolgação de começo (depois de um ano e meio – será?), mas devo admitir que chegar na cidade ainda dá um certo prazer e alegria!

Principalmente depois de voltar de um país com cultura e hábitos tão diferentes, é agradável entrar num taxi e não ter que ficar se preocupando se o taxista ligou o taximetro, se está tentando te enganar ou não, etc...

A Thailândia é o máximo sim, mas como todo país mais pobre, tem essas desvantagens…
Mas também tem uma cordialidade que merece ser destacada. É mais ou menos assim: quando não estão tentando te enganar, estão super dispostos a ajudar!

É uma constante e interessante contradição.

Entrei num banheiro público um dia e depois de procurar o papel higiênico por todo lado descobri que não tinha. Uma thailandesa me mostrou na parede uma máquina onde eu poderia comprar papel mas eu tava sem carteira. Abri mão dos meus luxos e entrei na cabininha. Dali a pouco ela me chama e passa por baixo da porta uma caixinha de papel que comprou pra mim.

Agradeci e fiquei esperando que na saída ela estaria lá, esperando que eu pagasse. Ninguém por ali! Foi pura cordialidade mesmo!

terça-feira, 16 de junho de 2009

Krap Kum Ka

Ate agora a gente ainda nao etendeu direito se e assim mesmo que se fala, mas ao que tudo indica isso e muito obrigada em Thailandes!

Resumo da viagem: em 48 horas a gente ja deu comida na boca de elefante, tomou chuva ate ficar pingando duas vezes, caiu num golpe do vigario, tirou foto com tigre na Disneylandia Thailandesa, quase viajamos com uma puta sentada no colo do Leandro, passamos um dia no paraiso e (proibido para minha mae) sobreviveu a um tsunami!!!

Podem dizer qualquer coisa da Thailandia, mesmo que o pais e sem graca!

Vamos aos detalhes: chegamos em Phuket na noite de domingo, comemos perto do hotel e cama.

Na manha seguinte resolvemos ficar pela regiao, resolver os passeios dos proximos dias e a noite fomos a um show turistoide na Disney Thailandesa. Lindo, lindo, lindo!
E uma mega producao estilo Las Vegas num ambiente tipo Dysney, onde se pode comer, passear e ai sim, dar comida na boca dos elefantes, passar a mao neles e tudo o mais.

Eles sao muito bonitinhos, mas cascudos e peludos... Estranho...

La tambem foi o momento tigre do resumo acima. Tinham dois, brancos, gigantescos, que viamos por um vidro. Mas, claro, se voce quisesse seguir a vida com suas maos coladas aos seus bracos era recomendavel nao coloca-las neles!

(Bem-vindo a Thailandia!)

Na volta da noite aconteceu o terceiro episodio: o golpe do vigario! Tinhamos pago a uma agencia para nos levar e nos buscar com uma mini-vam. Na saida o motorista veio nos dizer que iriamos numa outra vam, com um motorista amigo dele que estava indo para o mesmo hotel que nos. Nos levou a um outro carro, abriu as portas, nos colocu dentro e pediu que esperassemos pelo outro ali. Quando o motorista apareceu, claro, nos botou pra fora porque nao eramos do grupo dele e era tudo uma grande mentira... Pagamos uma outra van, putos!

(O bom e que o prejuizo do golpe aqui e barato! Entre AU$10/15, R$15/20).
(Bem-vindo a Thailandia!)

O dia seguinte tinha tudo para ser perfeito. Viagem a Phi Phi Island, um dos lugares mais bonitos do mundo (pra mim, o mais ate agora).

A agencia passou no hotel, nos pegou e foi buscar as outras pessoas. Depois de meia hora esperando um grupo que nao aparecia la vem 4 homens indianos com duas thailandesas. Visivelmente, as putas contratadas pra noitada anterior (Phuket tem fama de paraiso do sexo para estrangeiros, com putas de monte pelas ruas, travestis e shows de ponpuarismo tao tradicionais quanto samba no Brasil!).

Os homens comecam a negociar com o motorista que todos estavam indo (se nao bastasse o atraso) e dali a pouco entram os 6 no micro-onibus que ja tava quase lotado. No nosso banco, onde caberiam 4, sentam dois do nosso lado e uma das putas no colo do cara colado ao Leandro...

Ah! Ta facil!!!

Nada contra a puta, mas eu e que nao ia ficar viajando espremida porque tinha uma mulher praticamente nas pernas do meu marido...

Levantei e comecei a gritar pro motorista: "Aqui nao cabe, nao cabe!!!"

E o indiano mandou ela sair e as duas foram dividindo um outro banco individual.

(Bem-vindo a Thailandia!)

Chegamos no pier e o guia comecou a dar uma bronca em alto e bom tom nos 4 homens, dizendo que tava todo mundo esperado por eles, que se fizessem isso de novo durante o passeio largaria-os na ilha e que as meninas nao iam embarcar (eu sei que vinganca e feio, mas as vezes o sentimento e incontrolavel).

Resumo, os 4 embarcaram e despacharam as meninas de volta pra cidade com o motorista.
Rumo ao paraiso!!!

Phi Phi e realmente tudo aquilo que parece. E inacreditavel, e indescritivel. Quem viu, viu. E dificl explicar ou mostrar em foto. E bonito DEMAIS!!!

(E quem nao viu, assista ao filme A Praia, com Leonardo di Caprio).

Passamos o dia pulando de ilha em ilha com o barco, fazendo snorkeling e nadando numa agua absolutamente morna, tranparente e de uma cor sem precedentes.

Vimos ouricos do tamanho de uma bola de futebol, estrela do mar colorida, peixes de varios tipos, inclusive o Nemo!

Peguei ate um pepino do mar preto nogento na mao!

(Bem-vindo a Thailandia!)

O tempo nao tava muito estavel durante o dia todo e em alguns trechos ja tinhamos pego o mar um pouco agitado, em outros nublado, ate que na volta...

(Nao vou dar detalhes porque sei que minha mae vai ler - pula essa parte) Chegamos em terra firme!

Se nao bastasse o tanto de agua que tava entrando dentro do barco com as ondas, la pelas tantas comecou uma mega chuva e chegamos no pier que nem dois pintos absolutamente molhados pela primeira vez no dia.

Pegamos a micro-onibus e ninguem conversava, acho que ainda se recuperando do susto da volta. Tirando eu e o Leandro, que estavamos rindo de nos mesmos pensando em como o dia dos indianos que era para ser um visita ao paraiso rodeados de putas tailandesas, virou um passeio infernal no mar, com direito a uma brasileira estressada gritando no onibus e um marido vomitando no meio do barco quase em cima deles!!!
Hotel, banho e depois de nos secarmos saimos pra jantar e para caminhar na famosa rua onde estao todos os puteiros, shows, restaurantes, tudo junto num mesmo lugar ao mesmo tempo! O maximo!

Entre uma caminhadinha e outra, pla!!! Desaba o ceu de novo!

Bem-vindo as Moncoes!!!

Chegamos no restaurante estressados, putos e claro, absolutamente molhados pela segunda vez em menos de 6 horas.

(Meu cabelo vai mofar, eu to falando! Nao ta dando tempo de secar...)

O bom e que pra curar tudo isso tem os thailandeses, que sao aboslutamente amigaveis e simpaticos. A garconete veio me enxugar com os guardanapos do restaurante, passava a mao nas minhas costas pra me consolar no melhor estilo "quer um abraco?", ficava falando pro Leandro como eu era bonita e pos a mao ate nas minhas coxas! (Sem sacanagen, com muito respeito!)

(Bem-vindo a Thailandia!)

E pra comemorar a chuva de hoje, vamos passar o dia fazendo massagem Thailandesa por AU$10 a sessao!

(Bem-vindo a Thailandia!)

quarta-feira, 10 de junho de 2009

Sábado? Não posso...

Pobre blog! Abandonado por mais de um mês…
Isso nunca me aconteceu antes!
Mas tem uma explicação: muita coisa aconteceu nas últimas semanas e a principal delas, até alguns dias atrás, era o final do mestrado.
Não um final, FINAL, mas quase isso. Ainda tenho uma matéria pendente que farei daqui há duas semanas, mas como essa é relativamente fácil, já estou considerando-a concluída.
Agora, essa ERA a maior novidade do ano até a última sexta-feira, quando recebemos a feliz notícia de que nossa autorização de residir permanentemente na Austrália foi aprovada!
Pra quem nunca escutou a gente falar do assunto é o seguinte: atualmente temos um visto de estudante pelo fato de eu estar fazendo o curso, que vale até agosto. Nos últimos meses entramos com um pedido de autorização para residir aqui, chamado de PR (permanent residence) e fomos aprovados pela imigração para conseguir esse benefício!!!
Isso quer dizer que a partir de agora podemos ficar aqui até quando quisermos, temos mais benefícios do que antes e eu tenho liberdade para trabalhar quantas horas quiser.
Pra quem achou que isso já era notícia boa o suficiente, calma que tem mais!!!
Por questões totalmente burocráticas (e totalmente sem sentido...) nós temos que pegar esse carimbo fora daqui, o que nos obriga a sair do país praticamente de imediato, por uma semana, até que os papéis fiquem prontos e a gente possa pegá-los na embaixada australiana.
Por isso, desculpem-nos aqueles com quem marcamos algum almoço no final de semana, pizza no domingo a noite ou happy-hour na quinta, mas na semana que vem estaremos na Thailândia!
(Prometo que quando eu estiver em Phi Phi Island (foto ao lado) - mais ou menos na terça ou quarta à tarde - pensarei em vocês!)

quinta-feira, 7 de maio de 2009

Alô, Brasil!

Como diria a filósofa Xuxa Meneghel, foi muito bom estar com vocês, foi muito bom brincar com vocês!

Dos amigos do trabalho aos da infância, passando pelos da fase adulta – corrigindo – da faculdade (porque fase adulta não chegou pra nenhum deles vide comportamento apresentado em eventos como a temporada em Campos ou o casamento dos Gamboas…), família e todo mundo mais que não se encontre em nenhuma das classificações acima e que tive o enorme prazer de encontrar.

Até mesmo São Paulo, que se mostrou mais louca do que nunca.

Será que a cidade realmente piorou, eu me desacostumei ou é a velha lógica de que só quem está de fora enxerga as coisas de maneira mais clara?

Sei lá… Acho que quem esta lá é que “Aprende depressa a chamar-te: realidade”, como diria Caetano, “Porque és o avesso do avesso do avesso do avesso do avesso”, que aliás, eu já calculei e é o direito!

Isso mesmo: o avesso do avesso do avesso do avesso nada mais é que o direito!

(Essa postagem tá ficando muito maluca.... Deve ser o efeito do jetlag...)

Vai ver que São Paulo é que é normal e o resto do mundo é estranho...

Bom, na dúvida, chegamos em Sydney.

E no melhor esquema primeiro mundo fomos recebidos com câmeras filmadoras (eu, sorrindo, achando que era pra passar na TV!) que mediam nossa febre. Além dos labradores que vivem felizes pulando pelo aeroporto o dia inteiro.

Claro! Eles literalmente cheiram meia! (Pra quem nunca viu, os policiais dão uma bolinha de meia com algo – provavelmente drogas – pra eles cheirarem e eles saem enlouquecidos atrás das malas).

Pegamos um taxi com um motorista de Samoa (pra quem também não sabe e tem mais de 30 anos, Samoa não é só uma marca de chinelos, mas também um país aqui por perto).

No primeiro semáforo com uma fila de uns 12 carros esperando pra fazer uma conversão ele reclamou do trânsito, dizendo que todas as segundas-feiras de manhã eram daquele jeito.

HAHAHAHAHAHAHA!

Deve ser piada, né?!

Não, é Austrália mesmo!

Bem-vindos de volta!

sábado, 4 de abril de 2009

A postagem que não virou postagem

Faz um mês que estou esperando o dia em que iria sentar pra escrever essa postagem, guardando a sete chaves o segredo na minha mente, rindo sozinha do que estaria por vir.

No primeiro dia do semestre uma das professoras anunciou que faríamos 3 aulas de desenho para aprendermos a representar a figura humana em movimento, o que é muito importante para quem faz animação.

Ótimo! Há tantos anos não faço uma aula de desenho que imaginei que seria divertido.

Divertido? Segundo esclarecimento sobre as aulas: a melhor maneira de aprender a desenhar é observando o corpo humano, por isso contaríamos com um modelo. NU!

Escutei aquilo, fiz cara de paisagem e fingi naturalidade.

Num filminho mental que durou frações de segundo me vi nas entediantes aulas de direito. Pensando bem, eu mereço uma aula de desenho com um modelo pelado por todos os meus cinco anos escutando coisa chatas!

A professora recomendou que os alunos que tivessem alguma objeção por questões culturais ou religiosas conversassem com ela no final da aula.

Minha religião permiiite! Minha cultura então… (Quem cresce assistindo à mulher pelada em carro alegórico na TV não pode dizer que se opõe a uma aula dessas).

Não contava que eu fosse ter um problema matrimonial quando chegasse em casa, mas ela não comentou essa possibilidade, então eu não tinha dispensa dessa aula… Parte do meu currículo escolar!

Bom. Lá vou eu na semena seguinte como criança no primeiro dia de escola, louca pra ver o que estava por vir.

Ninguém de diferente por perto além dos alunos e lá pelas tantas eu concluí que aquela era a aula introdutória e os modelos só viriam nas próximas. Mas também descobri que seriam dois: um homem e uma mulher.

Nessa aula a gente desenhou os próprios alunos mesmo (todos devidamente vestidos), alguns jogando bola ou fazendo outros movimentos.

E eu só imaginando como seriam dois modelos pelados correndo pela sala…

Esse filminho mental parecia um remake de Eva e Adão no paraíso, com expectadores (nós - os alunos) em volta!

Próxima sessão e lá vamos eu e minha mente poluída e fantasiosa.

Descobri o segundo detalhe: aquele seria o dia da modelo e o modelo-homem só iria na outra aula.

Acabou o filminho da Eva e do Adão...

E lá vem a professora com mais uma notícia: a turma anterior tinha observado a modelo realmente nua, mas como a temperatura tinha esfriado ela sugeriu que ela usasse roupas de ginástica…

Que sem graça!!!

Cadê as pessoas peladas fazendo poses???

E por falar em poses, eu, com toda a minha falta de experiência sobre uma aula desse tipo, imaginei que posar fosse ficar lá parada enquanto a gente desenhava.

Ignorância a minha... A mulher ficava fazendo umas poses que mais pareciam de uma instrutora de ioga. Um pé no chão, o outro pra cima e os braços pra trás. Deitada no chão com as pernas pro alto. Costas curvada pra trás e braços largados do lado do corpo, etc...

E eu só imaginado enquanto desenhava: como ela estaria fazendo aquilo tudo pelada???
Sabia decisão a de por as roupas! Não sou obrigada a ver isso.

Ainda restava a próxima aula com o modelo homem (bem mais interessante) e pensei: minha chance de viver uma experiência dessas ainda está de pé!

Mais uma semana de expectativa e lá vou eu pra última da série.

É hoje que eu vou ver o pelado ao vivo (e fazer cara de nada, como se eu estivesse achando tudo super natural)!

Subi no elevador da faculdade com um fortão, olhei bem o tipo e na hora concluí: é esse o modelo!

Não deu outra: fomos pra mesma sala.

A professora começou dar as instruções sobre que tipo de desenho faríamos naquele dia e o fortão num cantinho.

Eu só reparando (claro) e o fortão tirando a roupa.

Comecei a ficar nervosa e me focar na professora!

Quando as coisas começam a se materializar é que a gente se dá conta delas!

Acho que isso não vai ser tão confortável e divertido assim....

Só estou acostumada a ver um pelado, no recôndito do meu lar, e não preciso ficar desenhando-o nem observando os detalhes!!!

Dali a pouco vem o fortão pro meio do círculo de carteiras.

Foi a piscada de ilhos mais longa da minha vida e uns 30 segundo depois eu concluí que precissava abrir os olhos (senão não seria mais uma piscada).

Lá estava o pelado. De sungão!!!
Ãããh???

Não é possível...

Passada a tensão veio a revolta.

Como assim sungão??? A professora anuncia por três semanas o pelado e na hora do vamos-ver o pelado é um vestido???

Nu é nu. Semi-nu é semi-nu. E sungão é sungão.

E ela falou NU. Eu tenho por escrito.

Não me conformei e no auge da revolta mandei uma mensagem pro meu marido: “Você é minha última esperança. É bom estar pelado quando eu chegar em casa."