sexta-feira, 2 de maio de 2008

Revoada de andorinhas

Em algumas regiões do Brasil (pelo menos na qual eu fui criada) a gente tá acostumado a ver, durante um certo período do ano, aquele monte de andorinhas voando juntas, fazendo formações bonitas pelo céu e toda aquela coisa romântica do interior.

Aqui em Sydney também tem isso. Mas como tudo na Austrália tem que ter um toque de estranheza, quando dá umas 5 da tarde o céu se enche de pontos pretos voando, vindo da direção do Royal Botanic Garden e indo para o outro lado da cidade.
Eles não têm formação pré-definida nenhuma e parecem uma enorme massa preta, prestes a fazer uma ataque aéreo ao inimigo.

O detalhe principal é que quando os fofos passarinhos se aproximam você pode perceber que eles são sutilmente diferentes... As asas deles praticamente não batem, têm desenhos de ondinhas na parte inferior e eles são um pouco mais peludos que a média das aves.

Aliás, reparem que eu falei peludos, e não "penosos"!
E atenção pra foto: no fundo não são frutos pendurados nas árvores. São os morceguitos descansando no Botanic Garden antes de partirem para o ataque diário verpertino!!!

segunda-feira, 28 de abril de 2008

Festa no apê!


Emprestando a célebre frase do "poeta" brasileiro Latino, começo essa postagem pra contar que sábado teve festa no nosso apê!

Pra resgatar os bons e velhos hábitos de São Paulo fizemos um jantarzinho aqui com a Kakes e o André (que têm cadeira cativa) e as novas participações, diretamente do Rio Grande do Sul (bah!), do Juliano e da Marti.

O Lê o conheceu no congresso do PMI (eu os conheci aqui em casa mesmo!) e eles moram aqui já há quase um ano.

Entre os vários assuntos que surgiram durante a noite os blogs foram um tema de grande discussão.

Primeiro porque eu assumi que quando entrei no blog do Juliano e da Marti morri de inveja... Não vou nem dar o endereço pra vocês não acessarem e verem como ele é muito mais fashion que o meu. Eu tentei copiar o layout no dia, mas meu marido não me autorizou e agora que já contei tudo isso pra eles fica ainda mais difícil...

Segundo porque uma outra pessoa presente no jantar (que eu não vou citar o nome pra não fazer acusações mas que eu sei que vai ler essa postagem!!!) disse que estamos sabotando as ferramentas que mostram aonde o blog está sendo acessado pelo MUNDO AFORA!

Aproveitando, vou explicar para quem não conhece ou não reparou que ferramenta é essa. Aquele mapinha que tem agora do lado direito, embaixo do relógio, mostra aonde estamos sendo lidos!!!

Reparem que já têm marquinhas vermelhas pelos EUAS, Irã, váaarios lugares da Europa, Japão, Nova Zelândia, Brasil, entre outros. Ou seja: um sucesso!

E contrariando as más línguas, não somos nós que ficamos acessando daqui com IPs de diferentes lugares, são pessoas de lá mesmo!!! Não sei o que várias delas devem estar entendendo, aliás, mas isso também não é problema nosso...


quarta-feira, 23 de abril de 2008

Geraldo: Who can I trust?

Esse título pode parecer estranho, mas foi o nome do programa que assisti na TV daqui ontem.
Geraldo é um operário de São Paulo que estava questionando porque há tanta corrupção no Brasil e se nos países do primeiro mundo isso também era assim...
Desde de minhas primeiras semanas aqui eu estava pra escrever uma postagem parabenizando as terras Tupiniquins.
Em duas semanas de mestrado escutei o professor de Furniture Systems falar sobre os Irmãos Campanas e dizer que ainda dará uma aula só sobre eles. Em seguida o de Management e Leadership exibiu um vídeo sobre Ricardo Semler e sua empresa Semco, mostrando sua inovadora e ousada forma de gerenciamento discutida exaustivamente em nada mais nada menos que a Harvard.
Ou seja, só tava dando a gente por aqui!!!
Aí, ontem, dou de cara com o Geraldo...
Em rede nacional dizendo: "tem uma frase que não é minha mas eu gosto muito: dê poder a um homem e você o conhecerá de verdade".
Falou sobre as promessas de campanha do Lula, a transformação quando ele assumiu o poder, o MENSALÃO (...) entre outros episódios recentes e vexatórios da política brasileira.
Entrevistou o Suplicy, que foi apresentado como um político em quem ele confiava. Entrevistou o Zé Eduardo Cardozo (adorei essa parte!!! eu só voto nele!!!) por ser considerado um dos políticos mais sérios do Brasil, foi a Brasília, passeou pelo Senado, entrevistou os responsáveis pelas investigações, contestou porque não haviam resultados até hoje, etc...
Pra meu alívio, como a idéia era comparar se isso era um problema isolado do terceiro mundo, usaram histórias da política alemã e francesa pra exemplificar que existem casos no mundo inteiro, o que não deve acontecer é isso virar uma consciência e conduta generalizada.
Mas a gente sabe que esse não é o caso do Brasil...
(Pense positivo, SEMPRE!)

Alô, é ele mesmo. (Ah, Não entendi!!!)

Só pra minha esposa não dizer que só ela escreve no Blog vou deixar minha mensagem da semana falando um pouco da minha primeira experiência em atender telefones dos AUSSIE (apelido dos Australianos) na minha busca por emprego.



Diferente um pouco do Brasil aqui na Austrália as empresas costumam fazer uma mini entrevista por telefone antes de te chamar pra entrevista pessoal. Já não é fácil entendê-los pessoalmente, e pelo telefone então nem se fala.No início usei a tática de não atender o celular e depois pegar o recado na caixa postal para poder me preparar melhor e não ser pego de surpresa. Na primeira ligação que recebi e fiz isso, mal pude entender o telefone que a pessoa deixou para eu retornar a ligação, quanto mais seu nome e nome da empresa, ou seja a estratégia não foi tão boa.



Resolvi então atender o telefone. A diferença já começa no simples ato de atender o celular no meio do dia e ter que dizer Hi! ou Hello! Yes Liandro speaking! ao invés de ALO! As primeiras frases são as mais fáceis pois não passam do Como vai!! Tudo bem!! Tudo!!! e assim por diante (igual as que aprendemos no curso de Inglês). O problema começa quando eles desembestam a falar rápido, sem sequer respirar, usando gírias e expressões locais que, na primeira, segunda, terceira... vez que vc ouve, não entende bulufas e diz: ahã... ahã e o maluco continua falando como um trator.



Neste momento que vem a pergunta e vc precisa responder. E ai??? Primeiro que eu só percebia que ele tinha perguntado alguma coisa pq ele havia ficado 1 segundo sem falar nada. Segundo, se mau eu percebia que ele tinha me perguntado algo o mais difícil era saber o que ele tinha perguntado. Nesta hora ou vc dá uma de loco e responde qualquer coisa ou pede pra pessoa repetir a pergunta, pois vc não escutou bem, que era o que eu fazia.



Depois disso a pessoa repetia a pergunta, eu conseguia entender mais algumas coisas (eu acho) , respondia a pergunta e desta forma ia até finalizar a ligação.



Com o passar dos dias isso vai melhorando e vc começa a entender o sotaque, gírias, expressões comuns e ai as coisas vão ficando mais fáceis e as conversas fluem melhor.



Bom, o que importa disso tudo é que eu vim pra cá para isso e imaginava que passaria por situações como essa, no entanto a experiência está sendo maravilhosa e muito proveitosa com toda certeza.



Abraços

terça-feira, 22 de abril de 2008

The (lovely) Rocks

Esse domingo, aproveitando uma folguinha da garoa que não pára por aqui há uma semana (parece SP!), saímos para explorar um bairro da cidade que se chama The Rocks.

Lindo, lindo, lindo!

E o mais legal: ele está do outro lado da Ópera House e da Harbor Bridge, então a gente pode ver os cartões postais de Sydney sob um ângulo diferente do que estamos acostumados a ver na maioria das fotos e de nossos passeios por aqui.

Entrando no bairro você tem a nítida sensação de que está na Europa.

Cafés, cafés, cafés, restaurantezinhos, ruelas, Plátanos e de repente uma pracinha, um outro cafezinho, lojinhas... Um charme!!!

Andamos por muitas das ruas e sem querer topamos com um feirinha (da qual o Lelê correu, então não tenho muito o que falar a respeito...). No final dela fomos literalmente parar embaixo da ponte!

Mas é a Harbor Bridge, então estar embaixo dela foi um prazer, acreditem!!!


Numa das galerias da região também achamos algo muito interessante: uma fábrica de bala, daquelas coloridinhas cheias de desenhinhos (que enchem mais os olhos que a boca!).

Um dos "produtores" esticava a bala de puxar (aquela de coco, que tem em aniversário de criança) no mesmo estilo que a gente fazia na casa da D. Julia!!!

Só que ao invés de mobilizar a equipe inteira (como a família Mistro TODA era mobilizada...), ele tinha um gancho onde enroscava a "minhoca" de bala e puxava sozinho! Muito inteligente! (Vó, pense em instalar um na sua cozinha!)

Quando a bala ficava branca (pra quem não sabe, ela sai do fogo transparente e vc tem que esticar, esticar, esticar, .... por séculos até que de repente ela fica branca!) ele juntavam com vários pedaços de uma outra massa colorida transparente, faziam um bolão, ia puxando pedaços desse bolão, enfiando numa máquina e aquilo saia do outro lado todo marcado.

Quando esfriava eles começavam a quebrar com a mão e as balinhas estavam lá, prontas!!!

Ainda pudemos experimentar, quentinhas, com o meio molinho! Uuuuuhhmmmm!!!




segunda-feira, 21 de abril de 2008

Deus, salve a América...

e a TV australiana, por favor!!!
Esse é só um apelo e um comentário rápido numa segunda de manhã.
Eu já odiava TV no Brasil e tinha banido-a do meu dia-a-dia.
Aqui, como não temos DVD nem TV a cabo ainda, sou obrigada a assistir a programação normal.
E posso garantir: ela é tão ruim ou pior que a brasileira...
Mas a parte mais difícil de engolir nem são os programas, são as propagandas.
Oh, meu santo...
A cada 30, 1 salva (a que eu publiquei no blog é uma das 30s).
Elas são péssimas, toscas, feitas em casa!!!
Têm umas que parecem apresentação de Power point, outra com dois cantando fazendo um jogral, outras com uns tiozinhos cheios de anéis de ouro imensos nos dedos pra anunciar carros, ruim, ruim, ruim DEMAIS!!!
Eu tenho vontade de filmar a TV e colocar os vídeos aqui só pra compartilhar com vocês o tamanho da minha indignação... Eu preciso dividir isso!!!

Publicitários brasileiros, por favor, venham pra cá! Tenho certeza que vocês vão fazer milagres!
Fui! (Que eu preciso fazer trabalhos. Acho que vou ter que desligar a TV...)

sexta-feira, 18 de abril de 2008

Tão perto da Ásia

Existe um aspecto da vida aqui na Austrália que é muito curioso e sobre o qual eu nunca havia pensado a respeito até vir.
Quando a gente mora no Brasil sabemos que somos bombardeados pela cultura americana e, em menor escala, européia. Embora tenha consciência disso, só consegui mensurar o tamanho dessa influência quando cheguei aqui.
Os fast-foods de Sydney são, maciçamente, restaurantes tailandeses, chineses, japoneses ou libaneses.
Assim como a gente compra um pão de queijo aí em qualquer esquina, aqui se compra um Kebab ou um rolo de sushi.
Restaurante italiano aqui é uma exceção. Existem, mas são 1 pra cada 20 dos outros.
As notícias que passam no jornal daqui tratam todo dia da Índia e China, sem falar no Zimbábue, que ocupa 50% do jornal.
A programação da TV, de manhazinha, exibe jornais em outras línguas. Claro que tem um chinês, já vi em italiano, espanhol, algumas línguas que não sei nem identificar e o mais surpreendente: um canal de Dubai. O apresentador, pra minha surpresa, devidamente trajado com turbante!

As embalagens de produtos de alimentação, assim como aí tem tradução para espanhol ou inglês, aqui têm pra chinês! Nossos iogurtes têm data de validade cheia de desenhinhos!!!
Até mesmo as padarias daqui são influenciadas e existem algumas redes que parecem ser convencionais, mas quando você entra percebe a diferença: são padarias asiáticas.
Pois é, não sei se é ignorância minha, mas eu nunca tinha pensado que, em primeiro lugar, existem padarias na Ásia (o que é óbvio, eu sei, mas sei lá... Nunca tinha pensado a respeito)!
Segundo, como elas seriam.
E são simplesmente TENTADORAS....
Estou fazendo uma pesquisa pro mestrado sobre uma delas (já engordei uns 3 quilos por causa disso!) e o que posso dizer é que são divinas, super diferentes e os produtos parecem vindos de um restaurante japonês, não de uma padoca.
A foto ao lado é de um pão, não de um sushi, acreditem!

Tudo bem que eu tenho saudades da Deôla e da Villa Bahia, mas diria que essas férias da cultura européia estão me trazendo experiências maravilhosas!

quinta-feira, 17 de abril de 2008

Mundo diferente, pessoas iguais!

Minhas salas na faculdade são uma imensa salada-mista.
Pensem num país, religião ou língua. Tem algum representante lá!
Duas matérias das que faço, por serem obrigatórias, tem mais ou menos uns 25 alunos pro sala (as outras duas têm 6!).
Nessas, só que eu já sei, tem: brasileiro (mais um além de mim!), colombiano, espanhol, iraniano, chinês (chinês, chinês, chinês, ...), coreano, indonesiano, indiano (indiano, indiano, indiano, indiano, indiano,....), francês, austríaco, tailandês, e... Ah, claro! Um ou outro australiano!
Me aproximei no último mês de duas meninas iranianas, por quem, sem muita explicação, senti uma empatia imediata e recíproca.
Uma delas mora aqui há 5 anos e já é cidadã australiana. A outra acabou de chegar e veio sozinha.
Ontem saímos pra jantar juntas e pudemos conversar bem mais do que durante as aulas.
É simplesmente fascinante poder estar com pessoas de lugares tão diferentes, com uma cultura e criação tão diferente da nossa (imposta pelo governo, infelizmente...) e uma experiência de vida tão complexa.
Ao mesmo tempo, apesar de hábitos como casamentos arranjados, restrições a bebidas, restrições a animais de estimação (isso mesmo! eles não podem ter...), nunca conheci pessoas tão parecidas com a gente.
O jeito de ser, os modos, o bio-tipo, a maneira de pensar (a original, que existe por trás das imposições a que eles são submetidos) é muito, muito semelhante ao nosso.
Me senti muito confortável de perceber que mesmo tão longe, posso ter amigas de verdade por aqui, parecidas com as minhas queridas e agora tãaaao distantes amigas daí!
Apesar de já ter morado duas vezes fora e conhecido gente de muitos lugares diferentes, posso dizer que nunca conheci pessoas tão parecidas conosco.
Com certeza em algum ponto da história da humanidade persas e italianos se cruzaram (e se alguém souber quando foi, por favor, me conte!).
Uma foto pra vocês poderem conhece-las melhor, sem as echarpes e mangas compridas que elas são obrigadas a usar por lá... (A minha direita, Baha. A esquerda, Parisa)

quarta-feira, 9 de abril de 2008

Essa postagem é proibida para:

- conservadore de plantão

- menores de... Sei lá! Hoje em dia acho que 6, 8 anos...

- maiores de 70 anos de idade mental

Existe no Brasil uma propaganda clássica na TV, que todo mundo já deve ter visto: sobre o Boston Medical Group.
O lugar trata de problemas de impotência, ejaculação precoce e similares.
A propaganda tem um perfil super sério, conservador e principalmente discreto. A imagem que passam do lugar e do serviço é igual.
Beleza!
A propaganda do serviço similar oferecido na Austrália, por outro lado, reflete exatamente o jeito de ser do australiano.
Mesmo diante de um tema relativamente tabu / delicado / constrangedor / sei-lá-o-que, o método de abordagem é bem diferente do brasileiro!
Confiram abaixo:

YES! Nos temos internet!

Após quase 3 semanas de longa espera estamos novamente conectados ao mundo!
Agora podemos acessar nossos e-mails, falar com as pessoas, escrever no blog, tudo diretamente do nosso sofá!!!
(Por enquanto do sofá mesmo, porque acabamos de queimar o roteador sem fio que trouxemos do Brasil... Esquecemos que aqui tudo é 220, ligamos o aparelho na tomada e uma fumacinha no melhor estilo gelo-seco começou a sair de debaixo dele!)
Nosso telefone de SP volta a funcionar (quem não tiver o número escreva um comentário com seu e-mail que eu mando a resposta) , não temos mais que correr ate a universidade para poder saber qualquer tipo de informação e posso voltar a escrever com acentos!!!
A gente não se dá conta do quanto é viciado-dependente-fissurado em internet...
E um ultimo comentário: definitivamente, telefonia/internet é igual em qq lugar do mundo!
Até a desculpa para os serviços que não funcionam é a mesa: culpa do sistema que não havia identificado nosso endereço, por isso eles não puderam vir na primeira data prometida... Ahaam... Sempre o sistema! Lele agradece!